• 15out

    Passamos a nossa existência cultivando muitas amizades e no balanço final percebemos que temos muitos colegas, mas poucos amigos de verdade.

    Há cerca de quarenta anos, conheci um jovem adolescente que como eu iniciava os flertes próprios da idade. As idas ao cinema com as namoradas e os bailinhos do início dos anos 60, era o que mais no divertia.

    Passados alguns anos, cada um seguiu o seu caminho. Como conseqüência de um relacionamento respeitável, cada um de nós construiu sua trajetória. Por uma dessas coincidências que algum plano pode explicar, no mês de fevereiro de 1980 nasceram Mayra, filha do meu amigo e Vinícius, meu e da Gecilda.

    Mais alguns anos se passaram, e desde cedo era notória a afinidade que ambos tinham entre si, e no início da adolescência iniciaram o namoro que persiste até hoje.

    Não é preciso dizer da alegria e satisfação que os pais corujas revelaram quando souberam da notícia. Este fato, que já dura nove anos, fortaleceu os laços que unem as duas famílias até hoje.

    Sempre que possível nos juntávamos naqueles tradicionais encontros caseiros para saborear aquela picanha sabiamente preparada pelo meu amigo. O nosso último encontro aconteceu na nossa maravilhosa Festa Alemã, oportunidade que nos divertimos muito ao som de uma alegre e contagiante música, saboreando o eisbein com chucrute regado com o delicioso chopp. Além disso, o meu amigo era um exímio contador de casos e sempre nos brindava com eles em qualquer momento que o encontrávamos.

    Uma semana depois da nossa festa o meu amigo tratou de nos pregar uma peça. Entendeu que já tinha nos divertido muito e transmitido lições de humildade e de bom caráter. Por isso achou melhor continuar a fazer isso em outros ambientes por nós desconhecidos, e sem dizer nada, nos deixou. Sim, partiu para um plano superior, mas não sem deixar registrado um exemplo de dedicação à família, respeito ao semelhante, e, ironicamente, um grande coração, o mesmo que o tirou do nosso convívio.

    Fica a flor plantada por ele e sua esposa. Fica a certeza que a Mayra e o Vinícius saberão seguir seus ensinamentos, perseverando na tarefa de dar seguimento a disseminar apenas o bem que ele sempre apregoou.

    Puxa Horácio, por quê você aprontou essa conosco?

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 21:18

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  • 08out

    Este episódio é relacionado à passagem que tive na Alemanha, há dez anos atrás, junto com a Gecilda e o meu filho mais novo, Vinícius. Fui a trabalho e por uma questão de conciliação escolar, as minhas duas filhas, Vanessa e Viviane, só foram ao nosso encontro quatro meses depois, por ocasião da conclusão do ano letivo aqui no Brasil.

    Quem não é o pai que quer o melhor para os seus filhos? Comigo não é diferente, portanto passamos todo esse período aguardando ansiosamente a chegada delas, pensando o que fazer para melhor recepcioná-las. Como fazia habitualmente nas viagens que realizava, sempre trazia um bichinho de pelúcia para elas e algum brinquedo ou jogo eletrônico para o filho mais novo.

    Daí surgiu a idéia de aumentar a coleção de bichinhos, e durante o espaço de tempo que ficamos ausentes delas, fui comprando mais para entregá-los quando lá chegassem.

    Porém, com o espírito de turista que tenho, e não era o caso, pois estava lá a trabalho, exagerei um pouco na compra dos ditos cujos, e quando dei conta já tinha adquirido em torno de trinta bichinhos de todos os tipos.

    Aí surgiu outro tipo de problema: como entregá-los? Pois não é que encontramos uma solução prática. Como a casa era assobradada e a escada tinha quatorze degraus, resolvemos colocar dois bichinhos em cada degrau, utilizando este espaço para distribuir os vinte e oito exemplares que seriam entregues a elas. Aí foi só esperar o momento da chegada.

    Para resumir, quando chegaram em casa e viram aquela quantidade exagerada de bichinhos de pelúcia, pensaram ser algo como uma demonstração ou exposição, mas quando lhes dissemos que eram seus, e que poderiam pegá-los, os do lado esquerdo para uma, e os do lado direito para a outra, foi uma algazarra, misturando-se risos e choros de felicidade por tão grata surpresa.

    Hoje, dez anos depois, ambas casadas, levaram alguns consigo, mas a maioria ficou em nossa casa, e aproveito a oportunidade para anunciar que estou fazendo uma liquidação para desocupar espaço. Quem se habilita? Faço um precinho camarada.

    Vale lembrar: O que um pai não faz por um filho, e no Dia das Crianças é gratificante lembrar disso.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 15:15

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  • 17set

    Nove horas da manhã. Cidade tranqüila. Trânsito normal. Conduzia meu veículo pela Av. Lino Jardim quando um veículo estacionado no meio-fio fez menção de sair. Estava praticamente ao seu lado, e por estar com a preferência, segui em minha direção, não sem antes trocarmos alguns avisos de buzina.

    O motorista não me reconheceu, pois ambos os veículos tinham a proteção de filme nos vidros, mas como ele estava com o vidro do passageiro aberto, reconheci-o. Era um companheiro do Rotary.

    A história poderia ter terminado aqui, mas por um capricho e para não fugir à regra da instabilidade emocional no trânsito, o dito motorista tentou fechar-me e emparelhou-se ao meu carro, e gesticulando reprovou a minha atitude de não ter lhe dado passagem.

    Andamos emparelhados por uns cem metros e na próxima esquina ao dobrarmos a esquerda, ele ainda gesticulando nervosamente, talvez fazendo elogios à minha família, abaixei o vidro do meu lado e como já o havia reconhecido, disse-lhe:

    - Pô, companheiro…Pára com isso!

    Ao reconhecer-me, a sua expressão irada transformou-se em um sorriso espontâneo, e como depois seguimos caminhos diferentes, não houve tempo de avaliarmos o que aconteceu.

    Ao escrever esta crônica ainda não tínhamos conversado, mas tenho certeza que no nosso próximo encontro iremos lembrar deste acontecimento e vamos procurar entender o que se passou.

    O mais importante: em tudo isso ficou uma lição. Acontecimentos banais no trânsito podem se transformar em fatos desagradáveis ou até mesmo em tragédias. Felizmente éramos rotarianos e como nos conhecíamos tudo não passou de alguns momentos de nervosismo de um motorista afoito. Ele, claro.

    Ah! Querem saber quem era o motorista? É o menos importante, ele continua meu amigo.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 23:09

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