• 21fev

    O bem sucedido homem de negócios, responsável por uma próspera empresa de transportes, tinha a sua vida ocupada por múltiplos afazeres. Viagens constantes marcavam seus compromissos. Apesar das queixas da esposa em dar pouca assistência às coisas do lar, justificava-se pelo fato de não poder abandonar a administração dos negócios, caso contrário perderia o controle das ações.

    Mantinha bases em locais estratégicos. Precisava estar próximo aos portos de embarque para certificar-se da eficácia das entregas. Vez ou outra delegava certas tarefas à sua gerente de logística. Por não poder estar em todos os pontos ao mesmo tempo, entendia ser salutar para a empresa manter alguém de confiança conduzindo parte dos negócios.

    Depositava irrestrita confiança na sua gerente, o que de certa forma causava um fio de ciúmes à sua esposa, que abnegada por natureza, aceitava as andanças do marido, mas sempre mantinha certa desconfiança na desenvoltura que ambos revelavam quando estavam juntos, tratando ou não dos interesses da empresa.

    O marido ciente do sentimento da esposa fazia de tudo para não deixar transparecer qualquer indício de intimidade entre os dois, embora certas evidências atestassem tal procedimento. Para eliminar qualquer dúvida, convidou a esposa a passar em seu escritório, pois precisava de ajuda para decorar o ambiente. Acreditava que delegando a ela tal responsabilidade, a estaria valorizando e, ao mesmo tempo, amenizando aquele outro sentimento dela com respeito à suposta rival.

    Antes da esposa chegar, o nosso herói chamou a gerente à sua sala para prepará-la para a visita. Chamou a atenção dos demais funcionários o tempo que ambos ficaram à portas fechadas. Terminada a reunião extraordinária chega a esposa, sendo recebida gentil e carinhosamente pela principal assistente de seu marido. Provavelmente, para demonstrarem não haver nada de excepcional entre eles além do relacionamento profissional, os dois haviam combinado de permanecer no escritório e junto com a esposa iniciarem as tratativas para modernizar o ambiente do escritório.

    Enquanto conversavam, e quase sem querer, a esposa viu sob a mesa aos pés do marido, um brinco caído ao chão. Ato contínuo agachou-se e recolheu a jóia. Examinou-a e enalteceu a beleza da peça. Era um pequeno coração cortado pela flecha do cupido com pequenos detalhes em brilhantes. Antes de falar qualquer coisa, percebeu um silêncio enigmático dentro da sala e ao mirar seu marido e a executiva, notou que ambos repentinamente passaram de um tom normal de seus rostos para aquele rubor natural de quem se surpreende por algo inesperado.

    Após alguns segundos de silêncio total, e sem fazer qualquer pergunta, dirigiu sua mão ao pescoço da outra e constatou aquilo que desconfiava. Faltava um brinco eu uma das suas orelhas.

    Imaginem o que se sucedeu após a descoberta. Como explicar o fato do brinco estar debaixo da mesa? Como chegou até lá? Como justificar que o brinco caiu da orelha, justo daquela de quem desconfiava?

    Surgiu então a imaginação fértil e aquele sentido que só as mulheres têm. Imediatamente, a executiva tomou a palavra e com muita segurança disse à esposa do chefe que, sabendo da vinda dela ao escritório tomou a iniciativa de proceder a uma limpeza na sala, porque apesar da constante insistência, ele nunca se preocupou em manter o local limpo. E justamente no local onde ele descansava os pés, havia uma mancha, e apenas debruçando-se ela foi capaz de limpá-la com o auxílio de uma escova. Nesse momento, não notou que o seu brinco havia caído no chão.

    Convencida ou não, a esposa passou a freqüentar mais o escritório do marido, e ela mesma encarrega-se de efetuar a limpeza mais ingrata. Quanto à gerente de logística, consta que após o episódio, deixou de usar brincos.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 19:26

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  • 29nov

    Estava visitando um fornecedor da empresa na qual trabalho, e durante a reunião que participava com algumas pessoas na sala, senti um estrondo bem atrás de mim, assustando a todos nós.

    A reação imediata foi nos abaixar e levar as mãos à cabeça num gesto instintivo de proteção. Naquela fração de segundos, muita coisa passou pelas nossas mentes. Desde a hipótese de uma bala perdida, muito em voga atualmente, até ao reflexo de um possível início do conflito no Oriente Médio, pois, coincidentemente havíamos falado sobre isso.

    Rapidamente constatamos tratar-se da queda inesperada de um quadro emoldurado em vidro, que estava pendurado na parede, causando o aludido ruído. Passado o susto, os meus companheiros solicitaram ao pessoal de limpeza, a retirada dos “restos mortais” do quadro, e o que por um momento foi motivo de preocupação, passou a ser considerado como um mote para lembrar de outras histórias semelhantes, tornando a reunião mais descontraída.

    Porém, aqui é que entra a parte mais interessante. Enquanto aguardava na sala o momento de ser recepcionado, observei que aquele quadro estava ligeiramente torto e como tenho o hábito (talvez mania) de aprumar todos os quadros que vejo, dei dois sutis toques com os dedos, colocando-o na posição correta. O que não esperava é que somente cinco minutos depois, o quadro viesse a se manifestar daquela maneira, espatifando-se no chão.

    Como moral da história, chego a duas conclusões: primeira; nunca mexa nos objetos que não lhe pertençam, nem que seja com a melhor das intenções, e segunda; às vezes um motivo banal como o descrito serve para redigir uma matéria para o nosso Boletim, principalmente na semana que não se encontra inspiração para faze-lo.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 18:01

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