• 02out

    É claro que a resposta é sim. Duvido que alguém ainda não tenha visto o Papa João Paulo II, pois é uma celebridade mundial e todos de alguma maneira já o viram. Porém refiro-me a tê-lo visto pessoalmente. Talvez sobre este aspecto, o mesmo sim seja dado por um número diminuto de pessoas.

    Sempre tive uma admiração e respeito por aquele que é responsável pelos destinos da Igreja, e que na Terra é o representante máximo do cristianismo. Calma, esta mensagem não tem nada de querer converter ninguém, pois temos de respeitar as opções religiosas dos nossos semelhantes. Entretanto, não poderia deixar de registrar a minha admiração por um ser que é humano como nós, mas que recebeu a missão de olhar e proteger os cristãos no mundo inteiro.

    Foi por isso que em junho de 1980, saí de casa de madrugada e utilizando os meios de transporte especialmente preparados para o evento, cheguei ao Campo de Marte. Aqui já se notava algo de diferente. Apesar da multidão que seguia para o mesmo destino, não se viu sequer um empurrão ou alguém querendo furar a fila, o que é muito comum na ida a um jogo de futebol, por exemplo.

    Apesar da demora na chegada do santo Padre ao local, percebia-se certa resignação dos presentes, que se transformou em alegria e respeito quando ele apareceu dentro do Papa-Móvel. Apesar da distância e da dificuldade em vê-lo mais de perto, foi certamente um dos momentos mais emocionantes e marcantes para os que lá se encontravam.

    Este momento de emoção só não foi maior do que aquele, dezoito anos depois, quando por ocasião de uma viagem à Europa, tive a felicidade de mais uma vez, estar bem perto dele, na Praça São Pedro, no Vaticano.

    Para uma pessoa que assumiu a sua missão aos 58 anos e que já fez aproximadamente 100 viagens ao redor do mundo pregando a paz, sentia-me pequeno por ser um entre os quase 17 milhões de peregrinos que o visitaram em Roma e por ter tido o privilégio de vê-lo pela segunda vez.

    João Paulo II tem hoje uma saúde debilitada, mas nem por isso deixa de se manifestar e receber os fiéis para as habituais bênçãos. Independentemente da religião e dos credos que possamos ter e acreditar, uma coisa é certa: homens como este merecem ser reverenciados.

    Nota: Em 2 de abril de 2005 o Papa João Paulo II voltou para a casa do Pai, depois de passar a vida transmitindo exemplos de determinação, solidariedade, confiança e paz. O mundo perdeu um líder e a humanidade reconhecerá para sempre a sabedoria de seus ensinamentos.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 13:38

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  • 25set

    “Não concordo com uma só palavra que dizes, mas defenderei até a morte o direito que tens em dizê-las”.

    Não recordo o autor deste pensamento, o que não importa muito, pois o mais importante é a mensagem que ele transmite. A nossa existência é marcada por eventos e acontecimentos que, via de regra, exigem a manifestação da nossa opinião. Em muitos desses momentos, o nosso pensamento não é necessariamente o mesmo do nosso semelhante. Entretanto isto não impede que, sempre que tivermos consciência e certeza das nossas posições, devemos nos pronunciar, independente de não estarmos agradando a maioria.

    A omissão ou a concordância por pura conveniência, são atitudes reveladoras de fraqueza. Demonstram falta de capacidade em exercitar o nosso intelecto, e conseqüentemente, perda da oportunidade de se manifestar no momento apropriado, pois uma idéia ou postura não externada na hora certa, perderá toda e qualquer importância se tardiamente colocada.

    O escritor Nelson Rodrigues já dizia: “A unanimidade é burra”. Realmente, se todos tivessem a mesma opinião sobre tudo, inibiria o desenvolvimento de novas propostas e o sentido da vida deixaria de existir.

    O progresso caminha a passos largos. As inovações tecnológicas acontecem numa velocidade espantosa. A era da informática veio para ficar e nos facilita sobremaneira no acompanhamento das atividades do cotidiano. Entretanto, não podemos desprezar ou deixar de considerar as opiniões daquelas pessoas que, por terem um passado pautado por outra realidade, podem parecer alheias ao progresso, ou eventualmente não demonstrarem compatibilidade com os atuais usos e costumes, porém possuem larga experiência de vida.

    Em alguns momentos, vale muito mais a experiência adquirida na escola da vida, do que a parede repleta de diplomas. Portanto, vamos externar as nossas opiniões e pensamentos sempre que necessário, sem todavia deixar de ouvir e respeitar a voz da sabedoria dos que já viveram e contribuíram intensamente.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 22:37

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  • 26ago

    Em épocas remotas era prática comum aos pais decidirem sobre o futuro matrimonial de seus filhos. Cabia a eles decidirem com quem suas filhas deveriam se casar.

    Já vimos muitos exemplos e histórias a respeito dessa interferência paterna em querer planejar a vida de seus herdeiros, mesmo não sendo aquela opção desejada por eles.

    Nos primórdios do século 20 vivia uma jovem de formação cultural acima da média para aquela época. Habitava em uma aldeia (a história se passa num país europeu) onde a população era de origem pobre e mantinha-se por meio do trabalho na lavoura. A jovem demonstrava interesse em se aperfeiçoar e sempre se destacou das meninas da sua idade por revelar aptidões culturais pouco em desuso para a época.

    Como toda adolescente bem apresentada e elegante, chamava à atenção dos jovens. Aos quinze anos conheceu um rapaz morador das redondezas e por ele se apaixonou. Amor de adolescência? Poderia ser, mas havia uma identidade tão grande que saltava a olhos vistos a grande afeição que havia entre os dois. Respeitavam-se e tinham os mesmos ideais. Trocavam lindas cartas de amor forradas de expressões apaixonadas, pois ambos possuíam extrema sensibilidade poética. O futuro de ambos parecia estar traçado. Parecia. Não fosse a interferência e o desejo de seus pais, que não sabiam a existência do romance, o futuro cor de rosa estava garantido.

    Por uma decisão arbitrária os pais haviam prometido a jovem a um respeitado senhor da aldeia vizinha, com posses capazes de satisfazer os melhores dotes que um pretendente poderia oferecer.

    A notícia foi recebida com indignação e tristeza pelo jovem e apaixonado casal. De nada adiantou as manifestações de desagrado da jovem. Seus pais afirmavam que o pretendente era o melhor para ela e o tempo ajudaria a acender a chama do amor entre eles.

    Fato consumado, não tiveram alternativa senão terminarem o relacionamento. Desapontado e com o coração partido, ele aceitou participar de uma missão humanitária na África. Como voluntário achava que poderia apagar do seu coração aquela paixão sincera, dedicando-se a fazer o bem a quem necessitava. Partiu sem antes despedir-se da amada, sabendo que nunca mais a encontraria.

    Ela, por sua vez, seguiu a vontade dos pais e logo em seguida casou-se com aquele marido encomendado.

    Passaram-se muitos anos. Tiveram filhos, netos. O marido nunca se portou como um exemplo a ser seguido. Apesar de não ter deixado de dar apoio à família, as suas ausências eram sentidas. Numa dessas ausências, soube-se depois que havia constituído outra família, para o desgosto da esposa que a esta altura já havia decidido morar junto com uma das filhas. Porém a sua grandeza era tamanha que sempre transmitiu aos seus descendentes, lições de harmonia e a importância da união familiar.

    Ele morreu primeiro. Longe da família e com poucos amigos, porém venerado, pois de qualquer forma, foi o responsável pela procriação de uma geração.

    Ela ainda viveu alguns anos. Pela própria vocação – tinha sido professora – ensinou aos seus netos várias lições de respeito e resignação. O pilar da família deveria ser o mais resistente possível, para evitar desmoronamentos.

    Em seu leito de morte revelou um segredo que mantinha com ela desde a época da primeira e única paixão. Pediu que as cartas de amor que ainda guardava, fossem levadas consigo e colocadas junto ao seu coração. Disse, também, que o seu grande amor havia falecido de uma epidemia anos depois em cumprimento a sua missão na África e que jamais o havia esquecido.

    Quando Deus a chamou, seu pedido foi atendido e certamente a grande paixão ainda reside no coração de ambos, estejam eles onde estiverem.

    Nem tudo na vida acontece como queremos. Mas se ocorrer algo contrário à nossa vontade, saibamos administrar e tirar proveito dos ensinamentos para transmiti-los aos nossos descendentes como lições de muito amor, perseverança e resignação.


    Escrito por Álvaro Ferreira @ 21:09

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