• 15set

    O assunto do momento é a recente aquisição do avião presidencial. Para atender as deslocações freqüentes do nosso presidente, tornou-se necessário providenciar um meio de transporte que fique constantemente à disposição do governo federal. Não pense o prezado companheiro que também vou expressar minha opinião sobre o assunto. Vamos deixar a avaliação do tema para os esclarecidos cronistas e formadores de opinião que ultimamente têm se manifestado através da imprensa falada e escrita.

    Prefiro falar de um meio de transporte mais econômico e tão em desuso atualmente: a bicicleta.

    Quem de nós na infância, ou mesmo agora, não teve ou tem uma bicicleta? Já tive muitas, mas a confusão do trânsito e a falta de “estacionamentos” próprios, nos impede de aderir ao saudável vício de pedalar.

    Não é saudosismo, mas puro prazer em relembrar. Ainda menino ia para a escola pilotando a chamada “magrela”. Da minha casa até o Ginásio Santo André, não gastava mais que cinco minutos. Sentia-me privilegiado e importante por ser um dos poucos detentores de tão poderoso meio de transporte.

    O tempo passa e os novos modismos chegam. Hoje, andar de bicicleta é até uma necessidade. Faz bem à saúde, mas infelizmente andar em meio a veículos motorizados, além de ser perigoso nos obriga a inalar gás carbônico exalado dos carros em movimento.

    Quem gosta do esporte ciclístico tem que se contentar em pedalar a famosa bicicleta ergométrica, aquela “que não sai do lugar”, freqüentando a sala de ginástica de seu apartamento ou alguma academia.

    Portanto, deixemos de lado o avião do presidente e vamos nos preocupar em manter a saúde em dia, com ou sem o uso da bicicleta.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 13:58

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  • 26ago

    Aquele humilde e sofrido senhor na faixa dos 70 anos, precisou de atendimento médico e como no país que se passa o acontecimento não havia rede pública de atendimento médico eficiente, e a assistência privada é só para uma minoria que tem condições de pagar pelos serviços, obrigou o nosso herói a comparecer a um posto de atendimento para idosos. Em Atrasópolis a instituição é conhecida como INSQP (Instituto Nacional do Salve-se Quem Puder).

    Sabedor das dificuldades de ser atendido pelo excesso de pessoas que procuram este tipo de assistência, foi dormir cedo na noite anterior, pois precisava madrugar para conseguir bom lugar na fila de atendimento. Providenciou uma lancheira emprestada do neto, colocou alguns sanduíches de mortadela e duas garrafinhas de água.

    Às 5 horas da manhã lá estava ele ansioso pelo atendimento. Há um costume interessante em Atrasópolis: para tudo que se possa imaginar fazer, há que se enfrentar longas filas, principalmente envolvendo pessoas carentes e necessitadas de serviços públicos. Pois bem, com a resignação típica de um atrasopolense, aguardou pacientemente até chegar a sua vez. Quando se aproximou do guichê de atendimento sentiu-se aliviado por estar tão próximo de ser atendido. Só que após 4 horas de fila e ao identificar o seu problema – sofria de insuficiência cardíaca e era asmático – recebeu apenas uma senha que lhe dava o direito de ser atendido quando chegasse a sua vez.

    Paciente por natureza, esperou por mais 4 horas. Mas nem tudo é tristeza, pois o seu número foi anunciado em um lindo painel eletrônico e abra-se aqui um parêntese: neste país poderia não haver atendimento eficaz, mas as placas indicativas eram de primeiro mundo.

    Até que enfim lá estava o nosso herói frente a uma gentil senhora que o atendeu com um sorriso nos lábios. Aquilo fez amenizar um pouco a sua angústia e pensou: agora vou ser atendido por um médico que possa ajudar acabar com o meu sofrimento.

    Ledo engano. Após uma detalhada explicação da senhora atendente, esta informou que estava marcando uma consulta com um médico especialista. Como era de emergência, a consulta foi marcada para daí a 60 dias.

    O coitado do nosso simpático velhinho ficou sem saber sequer argumentar. Como pode esperar 60 dias para uma consulta de emergência? Com a postura calma, a senhora explicou que os funcionários e médicos acabavam de voltar de uma longa greve por melhores salários e condições de trabalho, e por isso todas as consultas estavam atrasadas. Deu a ele uma nova senha cujo número seria chamado no dia da consulta que tinha até hora marcada

    Não restou ao bom velhinho retornar a sua casa depois de quase 10 horas ausente e resignar-se pelo “atendimento” recebido. Tão logo retornou, a primeira providência foi anotar no calendário a data da sua consulta. Sabia das dificuldades em conseguir marcá-la e não poderia esquecê-la.

    Enquanto aguardava ansiosamente o retorno, mantinha-se ocupado brincando com o neto que havia lhe emprestado a lancheira. Os males que o acometiam iam se agravando. Sabia que não podia voltar ao Instituto antes da data marcada. Como paliativo, apegava-se ao amigo farmacêutico tomando algum medicamento para amenizar seu sofrimento.

    Chegou um momento que os paliativos não mais surtiam efeito, e pouco a pouco o querido vovô foi definhando até não mais resistir. O desenlace aconteceu na véspera da consulta marcada no Instituto.

    No dia seguinte, exatamente na hora da consulta médica, aquela mesma gentil senhora chamou pelo número da senha dele. Como ninguém respondeu, chamou novamente. Novo silêncio. Última chamada e nada, até que a atendente desabafou em tom enfadonho:

    - A gente faz um esforço para atender todo mundo e esse pessoal esquece de comparecer no dia marcado.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 20:48

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