• 29nov

    Estava visitando um fornecedor da empresa na qual trabalho, e durante a reunião que participava com algumas pessoas na sala, senti um estrondo bem atrás de mim, assustando a todos nós.

    A reação imediata foi nos abaixar e levar as mãos à cabeça num gesto instintivo de proteção. Naquela fração de segundos, muita coisa passou pelas nossas mentes. Desde a hipótese de uma bala perdida, muito em voga atualmente, até ao reflexo de um possível início do conflito no Oriente Médio, pois, coincidentemente havíamos falado sobre isso.

    Rapidamente constatamos tratar-se da queda inesperada de um quadro emoldurado em vidro, que estava pendurado na parede, causando o aludido ruído. Passado o susto, os meus companheiros solicitaram ao pessoal de limpeza, a retirada dos “restos mortais” do quadro, e o que por um momento foi motivo de preocupação, passou a ser considerado como um mote para lembrar de outras histórias semelhantes, tornando a reunião mais descontraída.

    Porém, aqui é que entra a parte mais interessante. Enquanto aguardava na sala o momento de ser recepcionado, observei que aquele quadro estava ligeiramente torto e como tenho o hábito (talvez mania) de aprumar todos os quadros que vejo, dei dois sutis toques com os dedos, colocando-o na posição correta. O que não esperava é que somente cinco minutos depois, o quadro viesse a se manifestar daquela maneira, espatifando-se no chão.

    Como moral da história, chego a duas conclusões: primeira; nunca mexa nos objetos que não lhe pertençam, nem que seja com a melhor das intenções, e segunda; às vezes um motivo banal como o descrito serve para redigir uma matéria para o nosso Boletim, principalmente na semana que não se encontra inspiração para faze-lo.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 18:01

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  • 24set

    Sempre que nos referimos aos imigrantes, nos vem à mente os primeiros desbravadores do nosso continente no início do século 16. Mais recentemente, no ano de 1908, tivemos os primeiros japoneses aportando em Santos. Isto sem contar a mescla de famílias de alemães, espanhóis, italianos e portugueses, que aqui chegaram e se estabeleceram, durante várias décadas.

    Como imigrante que também sou, pois cá cheguei, ora pois, com a minha família no início dos anos 50, costumo me perguntar: Por que vim para o Brasil? Para alguns imigrantes, não restava outra alternativa senão sair de seus domínios, pois situações como conflitos mundiais, os obrigavam a tentar a sorte e oportunidade de vida mais compatíveis em outros países.

    De minha parte, a justificativa é mais simples. Na época não havia guerra naquela parte da Europa. Havia sim uma natural preocupação paterna em conseguir o melhor para a família, no sentido de oferecer uma base econômica, social e cultural, que, talvez, não fosse encontrada permanecendo naquela localidade humilde, embora aconchegante.

    Acredito que muitos companheiros têm em seus ascendentes, histórias parecidas. Famílias como Bitelli, Tangioni, Marsick, Munhoz, Precinoti, Motomura, Nicoletti e outras, estão no Brasil porque seus antepassados por aqui chegaram algum dia, com o objetivo de prosperar e oferecer melhores condições de vida aos seus descendentes. Muitos desses pioneiros não estão mais entre nós, bem como alguns deles não conseguiram alcançar tais objetivos para si próprio.

    Entretanto, fica uma certeza: as sementes plantadas por estes valentes e destemidos imigrantes germinaram e se multiplicaram através das gerações, as quais jamais devem esquecer de reverenciar o exemplo de desprendimento e aventura daqueles que deixaram suas Pátrias, para lutar e propiciar o bem estar das suas famílias.

    Que nas nossas orações, haja espaço para nos lembrarmos deles.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 9:48

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  • 02set

    A maioria dos companheiros, pelas atividades profissionais que exercem, deve estar habituada ao uso formal da gravata. Duvido que alguém ainda não teve a oportunidade ou mesmo a necessidade de usar tão importante adereço.

    O escritor Oscar Wilde, sempre ousado e espirituoso, disse: “Dar um bom nó na gravata é o primeiro passo sério na vida de um homem”. Particularmente, passei toda a minha vida trajando esse acessório, e confesso, gostava de usá-lo procurando sempre combinar o padrão com o terno vestido.

    Espera aí, isto não é uma aula de etiqueta! É apenas o intróito para contar uma rápida passagem que ocorreu comigo e uma pessoa da minha família. Posso dizer que é da minha família, pois considero o meu genro como parte integrante dela.

    Pois bem, convidado para ser padrinho de casamento de um amigo, recorreu à minha vasta experiência em usar gravatas e me pediu auxílio para ensinar-lhe a fazer o nó. O amável leitor já se viu nessa situação? Ensinar a fazer nó é mais difícil do que fazê-lo, primeiro pela dificuldade em transmitir verbalmente os passos da execução do nó, e segundo pela paciência requerida para executar tal tarefa.

    O que fiz? Fiz o nó no meu pescoço e entreguei a ele pronto para ser exibido. Porém, com a curiosidade inerente a qualquer jovem, desmanchou o nó para faze-lo novamente. Imaginem o que aconteceu. Pela falta de hábito, não conseguiu fazer o nó e como eu não estava mais por perto, não teve dúvidas e recorreu a uma ferramenta utilizada internacionalmente para pesquisa e esclarecer dúvidas: a Internet.

    Sim, por meio de um site da Internet, talvez o mesmo que consultei para citar a frase do escritor Oscar Wilde, seguiu os passos indicados, e surpreenden-temente, fez um nó melhor elaborado do que aquele que eu havia feito para ele. Foi para a festa de casamento e, com certeza, elogiado pela elegância do seu traje.

    Pois é, são fatos como esses que me faz refletir e concluir:

    - acho que estou ficando velho…

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 21:00

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