• 29nov

    Estava visitando um fornecedor da empresa na qual trabalho, e durante a reunião que participava com algumas pessoas na sala, senti um estrondo bem atrás de mim, assustando a todos nós.

    A reação imediata foi nos abaixar e levar as mãos à cabeça num gesto instintivo de proteção. Naquela fração de segundos, muita coisa passou pelas nossas mentes. Desde a hipótese de uma bala perdida, muito em voga atualmente, até ao reflexo de um possível início do conflito no Oriente Médio, pois, coincidentemente havíamos falado sobre isso.

    Rapidamente constatamos tratar-se da queda inesperada de um quadro emoldurado em vidro, que estava pendurado na parede, causando o aludido ruído. Passado o susto, os meus companheiros solicitaram ao pessoal de limpeza, a retirada dos “restos mortais” do quadro, e o que por um momento foi motivo de preocupação, passou a ser considerado como um mote para lembrar de outras histórias semelhantes, tornando a reunião mais descontraída.

    Porém, aqui é que entra a parte mais interessante. Enquanto aguardava na sala o momento de ser recepcionado, observei que aquele quadro estava ligeiramente torto e como tenho o hábito (talvez mania) de aprumar todos os quadros que vejo, dei dois sutis toques com os dedos, colocando-o na posição correta. O que não esperava é que somente cinco minutos depois, o quadro viesse a se manifestar daquela maneira, espatifando-se no chão.

    Como moral da história, chego a duas conclusões: primeira; nunca mexa nos objetos que não lhe pertençam, nem que seja com a melhor das intenções, e segunda; às vezes um motivo banal como o descrito serve para redigir uma matéria para o nosso Boletim, principalmente na semana que não se encontra inspiração para faze-lo.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 18:01

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  • 04nov

    Existem sonhos realizáveis e outros que alimentam o desejo e a esperança em tornar-se realidade. Para aqueles realizáveis, torna-se grande a satisfação quando vemos que os esforços e a vontade permitiram transformar em realidade alguma ambição ou projeto de vida.

    Há, também, aqueles sonhos de difícil realização, mas nem por isso diminuídos em intensidade. Quem não sonha em ganhar na loteria, acertando na mega-sena? Quem nunca pensou em dirigir uma Ferrari, de preferência nas ruas de Mônaco? No devaneio das nossas ambições, estas são realizações que fazem parte de algo não atingível, mas não é pecado deixá-las armazenadas em nossas mentes.

    O mais importante em tudo isso é saber conviver com a realidade dos fatos. Se você não conseguir enriquecer através da loteria, dedique aquela pequena quantia usualmente gasta na “fezinha” semanal, a alguém mais necessitado. Qualquer cruzamento com semáforo é cenário propício para prestar uma boa ação. Muitas vezes, o pouco nosso é muito para quem precisa.

    Se você não consegue pilotar uma Ferrari, não se desespere. Existem outras tarefas que mesmo não oferecendo o mesmo prazer, revestem-se de muita importância para a sua família. Ao invés de dedicar os finais de semana a assistir um jogo de futebol, que tal pilotar um carrinho de supermercado? É uma tarefa descontraída e descompromissada, não elevando os índices de adrenalina e tampouco causando o estresse que outra atividade mais maçante poderia causar. Ao contrário de dirigir uma Ferrari, não se gastaria combustível e muito menos causaria poluição ambiental.

    Portanto, você tem duas opções: continuar sonhando em ter uma Ferrari, ou sentir-se feliz em poder pilotar o seu carrinho de supermercado.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 21:58

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  • 02out

    É claro que a resposta é sim. Duvido que alguém ainda não tenha visto o Papa João Paulo II, pois é uma celebridade mundial e todos de alguma maneira já o viram. Porém refiro-me a tê-lo visto pessoalmente. Talvez sobre este aspecto, o mesmo sim seja dado por um número diminuto de pessoas.

    Sempre tive uma admiração e respeito por aquele que é responsável pelos destinos da Igreja, e que na Terra é o representante máximo do cristianismo. Calma, esta mensagem não tem nada de querer converter ninguém, pois temos de respeitar as opções religiosas dos nossos semelhantes. Entretanto, não poderia deixar de registrar a minha admiração por um ser que é humano como nós, mas que recebeu a missão de olhar e proteger os cristãos no mundo inteiro.

    Foi por isso que em junho de 1980, saí de casa de madrugada e utilizando os meios de transporte especialmente preparados para o evento, cheguei ao Campo de Marte. Aqui já se notava algo de diferente. Apesar da multidão que seguia para o mesmo destino, não se viu sequer um empurrão ou alguém querendo furar a fila, o que é muito comum na ida a um jogo de futebol, por exemplo.

    Apesar da demora na chegada do santo Padre ao local, percebia-se certa resignação dos presentes, que se transformou em alegria e respeito quando ele apareceu dentro do Papa-Móvel. Apesar da distância e da dificuldade em vê-lo mais de perto, foi certamente um dos momentos mais emocionantes e marcantes para os que lá se encontravam.

    Este momento de emoção só não foi maior do que aquele, dezoito anos depois, quando por ocasião de uma viagem à Europa, tive a felicidade de mais uma vez, estar bem perto dele, na Praça São Pedro, no Vaticano.

    Para uma pessoa que assumiu a sua missão aos 58 anos e que já fez aproximadamente 100 viagens ao redor do mundo pregando a paz, sentia-me pequeno por ser um entre os quase 17 milhões de peregrinos que o visitaram em Roma e por ter tido o privilégio de vê-lo pela segunda vez.

    João Paulo II tem hoje uma saúde debilitada, mas nem por isso deixa de se manifestar e receber os fiéis para as habituais bênçãos. Independentemente da religião e dos credos que possamos ter e acreditar, uma coisa é certa: homens como este merecem ser reverenciados.

    Nota: Em 2 de abril de 2005 o Papa João Paulo II voltou para a casa do Pai, depois de passar a vida transmitindo exemplos de determinação, solidariedade, confiança e paz. O mundo perdeu um líder e a humanidade reconhecerá para sempre a sabedoria de seus ensinamentos.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 13:38

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