• 22nov

    É sempre bom tentar passar um pouco de humor através deste espaço, e como bom português que sou, ou melhor legítimo, gostaria de lembrar duas interessantes passagens ocorridas com os laboriosos e inteligentes jogadores de pelota da terra de além-mar.

    Os mais saudosistas devem lembrar-se do famoso guarda-redes Costa Pereira, que defendia o Benfica e por muitas vezes, o arco da seleção portuguesa. Tinha o hábito de jogar com um boné na cabeça. Não testemunhei, mas dizem que durante um jogo acirradamente disputado, o nosso herói havia realizado uma estupenda defesa, fazendo aquela ponte voadora, causando a perda do boné que foi parar dentro do gol. Qual não foi a surpresa dos companheiros e da platéia quando ele, com a pelota nas mãos, dirigiu-se ao fundo do gol para recolher o seu inseparável boné. O árbitro não teve dúvidas e marcou gol para o adversário, o famoso gol do boné.

    Outra hilariante passagem de um patrício aconteceu nos idos de 1958 durante amistoso no Morumbi do Benfica contra o São Paulo. È comum tentar invalidar uma jogada de sucesso do adversário com reclamações do juiz sobre a legalidade do lance. Mas neste jogo o guarda-redes português passou dos limites.

    O time do Morumbi atacava pela direita, e o arqueiro português ao ver que o centro-avante se posicionava para receber o cruzamento, deslocou-se para o meio da área para interceptar o cruzamento. Ele só não contava com a mudança de direção do ponta-direita, que, em vez de levantar a bola para a cabeçada do centro-avante, invadiu a área, chutou e fez o gol do São Paulo. Inconformado com a improvisação, o goleiro do Benfica não teve dúvidas em gritar para o juiz:

    - Não valeu, não valeu! Ele ia cruzar, ele ia cruzar!

    É por estas e outras que o futebol continua sendo a alegria do povo.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 17:50

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  • 08out

    Este episódio é relacionado à passagem que tive na Alemanha, há dez anos atrás, junto com a Gecilda e o meu filho mais novo, Vinícius. Fui a trabalho e por uma questão de conciliação escolar, as minhas duas filhas, Vanessa e Viviane, só foram ao nosso encontro quatro meses depois, por ocasião da conclusão do ano letivo aqui no Brasil.

    Quem não é o pai que quer o melhor para os seus filhos? Comigo não é diferente, portanto passamos todo esse período aguardando ansiosamente a chegada delas, pensando o que fazer para melhor recepcioná-las. Como fazia habitualmente nas viagens que realizava, sempre trazia um bichinho de pelúcia para elas e algum brinquedo ou jogo eletrônico para o filho mais novo.

    Daí surgiu a idéia de aumentar a coleção de bichinhos, e durante o espaço de tempo que ficamos ausentes delas, fui comprando mais para entregá-los quando lá chegassem.

    Porém, com o espírito de turista que tenho, e não era o caso, pois estava lá a trabalho, exagerei um pouco na compra dos ditos cujos, e quando dei conta já tinha adquirido em torno de trinta bichinhos de todos os tipos.

    Aí surgiu outro tipo de problema: como entregá-los? Pois não é que encontramos uma solução prática. Como a casa era assobradada e a escada tinha quatorze degraus, resolvemos colocar dois bichinhos em cada degrau, utilizando este espaço para distribuir os vinte e oito exemplares que seriam entregues a elas. Aí foi só esperar o momento da chegada.

    Para resumir, quando chegaram em casa e viram aquela quantidade exagerada de bichinhos de pelúcia, pensaram ser algo como uma demonstração ou exposição, mas quando lhes dissemos que eram seus, e que poderiam pegá-los, os do lado esquerdo para uma, e os do lado direito para a outra, foi uma algazarra, misturando-se risos e choros de felicidade por tão grata surpresa.

    Hoje, dez anos depois, ambas casadas, levaram alguns consigo, mas a maioria ficou em nossa casa, e aproveito a oportunidade para anunciar que estou fazendo uma liquidação para desocupar espaço. Quem se habilita? Faço um precinho camarada.

    Vale lembrar: O que um pai não faz por um filho, e no Dia das Crianças é gratificante lembrar disso.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 15:15

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  • 24set

    Sempre que nos referimos aos imigrantes, nos vem à mente os primeiros desbravadores do nosso continente no início do século 16. Mais recentemente, no ano de 1908, tivemos os primeiros japoneses aportando em Santos. Isto sem contar a mescla de famílias de alemães, espanhóis, italianos e portugueses, que aqui chegaram e se estabeleceram, durante várias décadas.

    Como imigrante que também sou, pois cá cheguei, ora pois, com a minha família no início dos anos 50, costumo me perguntar: Por que vim para o Brasil? Para alguns imigrantes, não restava outra alternativa senão sair de seus domínios, pois situações como conflitos mundiais, os obrigavam a tentar a sorte e oportunidade de vida mais compatíveis em outros países.

    De minha parte, a justificativa é mais simples. Na época não havia guerra naquela parte da Europa. Havia sim uma natural preocupação paterna em conseguir o melhor para a família, no sentido de oferecer uma base econômica, social e cultural, que, talvez, não fosse encontrada permanecendo naquela localidade humilde, embora aconchegante.

    Acredito que muitos companheiros têm em seus ascendentes, histórias parecidas. Famílias como Bitelli, Tangioni, Marsick, Munhoz, Precinoti, Motomura, Nicoletti e outras, estão no Brasil porque seus antepassados por aqui chegaram algum dia, com o objetivo de prosperar e oferecer melhores condições de vida aos seus descendentes. Muitos desses pioneiros não estão mais entre nós, bem como alguns deles não conseguiram alcançar tais objetivos para si próprio.

    Entretanto, fica uma certeza: as sementes plantadas por estes valentes e destemidos imigrantes germinaram e se multiplicaram através das gerações, as quais jamais devem esquecer de reverenciar o exemplo de desprendimento e aventura daqueles que deixaram suas Pátrias, para lutar e propiciar o bem estar das suas famílias.

    Que nas nossas orações, haja espaço para nos lembrarmos deles.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 9:48

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