• 17set

    Nove horas da manhã. Cidade tranqüila. Trânsito normal. Conduzia meu veículo pela Av. Lino Jardim quando um veículo estacionado no meio-fio fez menção de sair. Estava praticamente ao seu lado, e por estar com a preferência, segui em minha direção, não sem antes trocarmos alguns avisos de buzina.

    O motorista não me reconheceu, pois ambos os veículos tinham a proteção de filme nos vidros, mas como ele estava com o vidro do passageiro aberto, reconheci-o. Era um companheiro do Rotary.

    A história poderia ter terminado aqui, mas por um capricho e para não fugir à regra da instabilidade emocional no trânsito, o dito motorista tentou fechar-me e emparelhou-se ao meu carro, e gesticulando reprovou a minha atitude de não ter lhe dado passagem.

    Andamos emparelhados por uns cem metros e na próxima esquina ao dobrarmos a esquerda, ele ainda gesticulando nervosamente, talvez fazendo elogios à minha família, abaixei o vidro do meu lado e como já o havia reconhecido, disse-lhe:

    - Pô, companheiro…Pára com isso!

    Ao reconhecer-me, a sua expressão irada transformou-se em um sorriso espontâneo, e como depois seguimos caminhos diferentes, não houve tempo de avaliarmos o que aconteceu.

    Ao escrever esta crônica ainda não tínhamos conversado, mas tenho certeza que no nosso próximo encontro iremos lembrar deste acontecimento e vamos procurar entender o que se passou.

    O mais importante: em tudo isso ficou uma lição. Acontecimentos banais no trânsito podem se transformar em fatos desagradáveis ou até mesmo em tragédias. Felizmente éramos rotarianos e como nos conhecíamos tudo não passou de alguns momentos de nervosismo de um motorista afoito. Ele, claro.

    Ah! Querem saber quem era o motorista? É o menos importante, ele continua meu amigo.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 23:09

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  • 15set

    Era o ano de 1960 e estava no começo da minha adolescência. Estudava em colégio pago, como se dizia na época, pois naquele tempo era muito difícil cursar o ginásio do Estado. Por isso guardo boas lembranças do Ginásio Santo André do Professor Lazzarini.

    Como tinha que ajudar meus pais a pagar o estudo, fui à procura de emprego. Mas o que um pirralho de treze anos poderia fazer? Experiência: nenhuma. Vontade: muita. Fui à luta e com a ajuda de um amigo consegui um emprego como atendente/recepcionista num escritório de advocacia.

    Gostaria de destacar quão importante foi este meu primeiro emprego. Também gostaria de registrar o respeito que tive e ainda tenho, apesar de não mais ter contato com esse advogado e meu primeiro chefe, Dr. Luiz Fernando Granzieira da Silva, que ainda milita nos meios jurídicos.

    Foi uma fase de despertar para um mundo diferente, onde a criança passa a deixar os seus brinquedos e começa a sonhar com um futuro cheio de realizações.

    Lembro-me bem. Ia para o trabalho de ônibus que passava pela Oliveira Lima e parava no Largo da Estátua.

    Os tempos eram outros e as atitudes, também. O primeiro salário que recebi, entreguei-o à minha mãe dentro de um envelope que eu mesmo preparei. Era uma satisfação indescritível poder contribuir com os gastos de casa. Em retribuição pelo meu esforço, a minha mãe fez questão de me comprar um par de abotoaduras, que ainda guardo, não só como lembrança, mas principalmente por ter marcado um dos momentos mais sublimes da minha vida.

    Quando completei quatorze anos, deixei esse emprego, e segui outros caminhos sempre com o firme propósito de alcançar um futuro melhor, porém sem nunca esquecer o início de tudo que foi a chance que o Dr. Luiz Fernando me ofereceu, para quem rendo a minha homenagem e o mais profundo agradecimento.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 21:24

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  • 15set

    O assunto do momento é a recente aquisição do avião presidencial. Para atender as deslocações freqüentes do nosso presidente, tornou-se necessário providenciar um meio de transporte que fique constantemente à disposição do governo federal. Não pense o prezado companheiro que também vou expressar minha opinião sobre o assunto. Vamos deixar a avaliação do tema para os esclarecidos cronistas e formadores de opinião que ultimamente têm se manifestado através da imprensa falada e escrita.

    Prefiro falar de um meio de transporte mais econômico e tão em desuso atualmente: a bicicleta.

    Quem de nós na infância, ou mesmo agora, não teve ou tem uma bicicleta? Já tive muitas, mas a confusão do trânsito e a falta de “estacionamentos” próprios, nos impede de aderir ao saudável vício de pedalar.

    Não é saudosismo, mas puro prazer em relembrar. Ainda menino ia para a escola pilotando a chamada “magrela”. Da minha casa até o Ginásio Santo André, não gastava mais que cinco minutos. Sentia-me privilegiado e importante por ser um dos poucos detentores de tão poderoso meio de transporte.

    O tempo passa e os novos modismos chegam. Hoje, andar de bicicleta é até uma necessidade. Faz bem à saúde, mas infelizmente andar em meio a veículos motorizados, além de ser perigoso nos obriga a inalar gás carbônico exalado dos carros em movimento.

    Quem gosta do esporte ciclístico tem que se contentar em pedalar a famosa bicicleta ergométrica, aquela “que não sai do lugar”, freqüentando a sala de ginástica de seu apartamento ou alguma academia.

    Portanto, deixemos de lado o avião do presidente e vamos nos preocupar em manter a saúde em dia, com ou sem o uso da bicicleta.

    Escrito por Álvaro Ferreira @ 13:58

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